quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Estudos Cênicos


Primeiros Levantamentos e Suposições

Ambivalências um projeto da Cia. Novo Ato

Maio de 2011

Separação - Cristal e Horácio

Estranhamento - Encontro

Namoro x tempo x abismo entre eles. Ação: Quebra um vidro.

Personagens:

Cristal e bêbada lápis borrado nos olhos

Paulo acusador

Horácio vitima

Cristal sonsa? = Morte de Karina e Ângela?

Trepar na árvore para criar metáforas?

Exercícios de abertura do peito através das mãos (vômito empurrar todos os podres para fora, rasgar a roupa)

Exercício de abrir a boca e o outro falar

Exercícios animais

Cristal =gata

Horácio=Abutre, gavião?

Karina = Pomba vermelha +corsa

Narrador

Ambiente Neutro = boca o outro fala

Cena II

Peito nu homens rindo alto... Ela quieta cheiro de bebida... Perturbação

Come os bilhetes, lambi os batons

Cena- beijo nos homens

Três pessoas Ângela aranha uma égua esta mais ou menos em brasa sentada senti tudo

Ângela casulo de Cristal

Ação: Vozes longe\ eco= amplo cômodo

Faixa (lado de fora caos) metal rangendo

Paulo jogos de ação no outro, pressão psicológica - trabalhar trechos desconstruir + cavucar desfragmentar o texto separar, juntar, cortar.

Estupro x Morte x Mistério

Sombras (Movimentos bruscos - Luta corporal) Arame + choque =tortura

Música funeral cordão umbilical placenta

Caminho destino

Mantém o teatral (auto falante ou lanternas?)

Exercícios de sorrisos, lágrimas, fidelidade e casamento

Gozo orgasmo - líquido em cena

Sangue escorrendo da vagina

Bebida bar exuberância tango

Vestido preto vermelho

Veneno

Pureza suor de homem

Gestos infantis x luta corporal

Exercícios de consciência- ferro \fogo

Palco: fazer o teatro, as máscaras

Colocar as máscaras

Ordem certa\ conflito de personalidade ambivalente pudor libertação

Ângela quer liberar o pudor de cristal

ß Horácio ß conflito interno

Caótico sequência não lógica recordações, conflitos

Ângela na forma mais pura verdadeira de pessoa chora com ela.

Ato sexual = de Horácio e Cristal de Paulo e Ângela = máscaras

Mágoas passadas desejos reabriram para falar agora à represada

Diálogo seco / reflexos de deformações. Sugeri imagem à espaço = andando numa cola= teia de aranha puxam o tempo todo

Ângela nome mais forte reflete pó poeira no palco som fragilidade delicadeza ventania=Cristal

Suave x grotesco, feio x bonito, Suave x Denso

Máscara / Cristal santa e se revela

Maquiagem = sensação interior

Concepção = casal se encontram juntos dez anos num cômodo ambiente aberto Paredes com grades/ trancadas com giz. A delimitação do espaço

Cena II

Grito prazer violência

Intimidade x real

Nervos = raiva

Calma - contrária

Cena II

Carta Cristal engole as cartas

Ela de máscara? à Gestos de atriz (novela, teatro)-

Velhas (espelho) à vaidade

Entender Horácio

Foto à própria Cristal à corda segurada pelos atores

Cena III

Algumas cenas serão lidas em off início e fim escrituras das cenas teatrais

Cena IV

Leitura das rubricas, drama da sombra e do eu

Para a platéia quebra da realidade

Depois de trepar presença da força de fora do coro

Coro com as cadeiras nas mãos empunhando batendo-lutando arrancam as roupas, cantam, bebida =Você me levava para cama- homem fala

Espelho Paulo - Horácio

Platéia cadeiras julgamento perturbação Horácio predador reconquistador quebra de Paulo Voz incomum sagrado x profano, prisão x cruz, altar x sagrado casamento, tecido branco x vermelho - irrealidades dos objetos, ritual dos objetos

Virgem prazer

Exercícios:

Ler o texto salmodiando... sorrindo-chorando-susssurando-gritando-leitura dura -cantando -com medo- velhinhos-sensual criançinhas, eco chamando longe , desejo , morto x vivo, terror

Ritmo muito lento, muito rápido, normal

Jogral: Sussurra repetindo a fala do outro. Ocupação da palavra no espaço

Juntos: animais dançam um seguindo o outro, bêbados, pêndulos um repete o som do outro. Dois parados ela ocupa o vazio deles

Palavras remetem ao texto andando no espaço diagonalmente

Troca o jogo

Dois dançando e um parado- gestos futurais obscenos dois mexem

Brinquedo jogando

Maratona em circulo

Lento à rápido à sussurro à alto à sussurro

Ocupa outras linhas do espaço

Troca o líder

Pára tempo lento

Jogar

Como o texto molda o outro como o texto a voz molda o corpo do outro

Um vai outro para

Concentrar como bolo no fundo do palco.

Uma palavra viva música

Os personagens trocam as personagens

Mexe a boca

Cena muda (e "o" esta rolando)

Jogo de vista / confiança

Grito surdo voz muda

Silas - criando imagem com texto cansaço

Olhos na cabeça intencionalidade

Lucianoà texto palavras soltas / marcavam

LuanaàPalavras remetem ao texto andando no espaço diagonalmente

Troca o jogo dançando e parado gestos guturais obscenos dois mexem escada brinquedo jogando gramelot

Coro (rubrica – sussurro – texto - subtexto fala levanta vai para cena)

Princípio da partitura musical misteriosa violino tambor

Estuprada no violino


Liberta energia (queimar na fogueira cada um na sua: Onde? Quem? O que esta fazendo? Apresentação de cada personagem

Cristal- Marília

Horacio-Silas

Ângela – Ana Lu

Paulo- Luciano

Karina- Ana Lu

Luiz Claudio – Direção, trilha sonora




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Do texto ao ato

Decifrar o universo do texto do Miguel não é tarefa simples, é um árduo trabalho, transformá-lo em ações é desafio ainda maior, pois ele insere no texto um universo de possibilidades preenchidos com muitas sutilezas no campo da subjetividade, tanto nos romances quanto nos textos teatrais. Sendo assim Ambivalência não é uma exceção e sim uma regra dentro desse contexto.
No inicio da montagem da peça tínhamos em mãos o texto e vários enigmas: quem são verdadeiramente Cristal e Horácio? O que a relação marido e mulher na peça sugere? Qual o papel da sexualidade ou do sexismo na peça? Qual a função dos duplos Ângela e Paulo no contexto do texto? E qual a relação entre o estupro, o prazer, o sagrado e o profano no texto?. Essas foram algumas perguntas iniciais que surgiram diante da primeira leitura do texto. ,
Com o aparecimento das perguntas restaram muitas dúvidas que ainda persistem, e que acredito não serão solucionadas ou respondidas, afinal o teatro e a literatura vivem necessariamente de angústias sem respostas ou afagos. Nesse sentido Ambivalência pertence a esse universo de angústias, medos, frustrações, mistérios que envolvem os seres humanos na sociedade. Temos em Ambivalência vários recortes sociais que colocam em discussão sem tomar partido algumas questões humanas entre elas o sexo, o casamento, o prazer, o medo da solidão, a ambição, a fragilidade dos sentimentos, o estupro, o ser social versus o ser individuo, a sociedade com seus mitos e tabus entre outros assuntos.
Cristal e Horácio protagonistas da peça se encontram depois de dez anos separados. O diálogo entre eles segue uma perspectiva do pensamento oscilando entre o objetivo e o subjetivo, as frases seguem o fluxo das memórias e flashes que denunciam cenas envoltos em rancores, mágoas, prazeres, dores, solidão e principalmente medo. O medo dentro do texto leva ao medo do conhecimento, ou melhor do auto-conhecimento de si próprio. Os duplos psicológicos de Cristal e Horácio respectivamente Ângela e Paulo denunciam esses medos com suas pavorosas máscaras, suas vozes atrevidas, seus gestos vulgares e fora dos padrões sociais . A medida que Cristal e Horácio conversam o expectador é convidado a penetrar o universo psicológico e social dos dois envolvidos pelo laço matrimonial e pela revelação de um estupro.
Pensando nessas imagens que surgiram durante o processo de leitura e discussão do texto ao longo dos encontros realizados no primeiro semestre de 2011, tomamos como desafio a montagem de cenas que pudessem sintetizar e problematizar tais imagens e temas. Partimos para o campo da preparação vocal e corporal, focando durante o processo de preparação ainda em construção de imagens corporais e vozes que pudessem transmitir tais ideias, de forma que o expectador possa também criar suas imagens. Pensamos pois em algumas sutilezas que pudessem permitir a ruptura com as imagens que apareceram de forma que a construção das cenas não abordassem necessariamente ás imagens captadas pelos atores/diretor durante o processo de leitura e discussão da peça, mas que possibilitassem a reconstrução ou incorporação de imagens contrárias as mencionadas ou focadas pelos sujeitos envolvidos no processo de montagem do espetáculo. 

Silas Santana
Goiânia,Goiás, Brasil 12 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

De quem é essa história?

Quando se fala em Ambivalências essa é uma pergunta pertinente. Tanto no sentido de se perguntar quem conta essa história, como sobre quem ela fala. Três personagens reais e dois psicológicos. Cinco atores e um diretor, levemente desequilibrados diga-se de passagem. Cristal, Horácio, Ana Lu, Luiz Cláudio, Paulo, Karina, Luciano, Silas, Marília, Bela, Ângela, Miguel Jorge.

O processo criativo é um casamento, brigas, amores, picuinhas, sexo, conflitos e por ai vai. É aproximação e distanciamento do texto, é um sacrilégio e uma homenagem ao autor, somos nos, o teatro, o texto, a sociedade, quem nos julga. Nesse processo perdemos e encontramos o sentido do texto, sentido esse muitas vezes coletivo e compartilhado, outras individual e egoísta.

Mas afinal de quem é essa historia? Sobre quem ela fala?

Um casal bonito Cristal e Horácio, um casamento destruído e que se reconstrói em uma noite de devaneios. Uma irmã/cunhada que se torna vítima consciente, ou não ser bem assim. Cristal com sua eterna pureza, apresenta uma casamento falido antes mesmo de começas, medos de si, do outro. Horácio, nosso humano monstruoso, a personificação de um super ego que perde ou se rende ao idi, uma consciência vencida pelo instinto. Karina, a jovem deslumbrada em busca do sucesso, disposta a tudo para alcançar seus objetivos, culpada? Vítima? Ângela o diabo, a provocação, a tentação, a verdade de uma mulher reprimida e escondida em sua suja pureza. Paulo juiz, consciência, incendiário, provocador, acusador.

Quem conta essa história? O fato é que se pode ver a mesma história por vários ângulos, cada personagem que contar sua visão, sua versão, um defesa ou uma acusação. Essa peça não fala de um grupo, de uma família, de um casamento. Ela fala do ser humano, em todos os seus conflitos pessoais, suas dualidade, suas múltiplas personalidades, suas ambivalências. Essa peça fala de você e de mim, fala de nos como homens e mulheres, como seres humanos, por vezes monstruosos, criminosos, por vezes amorosos, ternos, maternos, sagrados.

Quem é você? O que você esconde? Quem são seus duplos?

Luciano Di Freitas

Ator Cia Novo Ato

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O inicio de tudo!

O primeiro contato que tivemos com o artista e escritor Miguel Jorge foi em 2003 quando fez parte do juri do festival realizado pela FETEG onde a Cia. Novo Ato então com o nome de Grupo da Terra levou quatro estatuetas numa noite memorável.Este enebriado com a encenação escreveu um eximio comentário crítico que posteriromente passou a ser lido no inicio de cada espetáculo pelo então apresentador e sonoplasta que muito contribui pela Cia. Pedro Antônio Pereira.
O segundo contato foi em uma palestra na UFG em que este com outras personalidades do teatro conversaram sobre sua história no teatro, na ocasião recebemos dois livros de teatro de sua autoria. Dentre os livros o monólogo `Olga` que este gostaria que a atriz e diretora Marilia Ribeiro interpretasse. Noutra situação o diretor e ator Luiz Cláudio participou de encenação de poemas com o grupo Kados do escritor.
Lemos um roteiro de cinema e varias de suas peças na sombra de sua jabuticabeira, mas a peça que mais encantou e despertou nosso interesse foi 'Ambivalência' pela sua sofisticação e cheiro de modernidade. Os personagens se duplicando, o inconsciente aflorando, numa linguagem poética e potente. Cada palavra , cada dialogo contendo em si uma beleza dramática, uma fluidez lirica.
A partir dai elaboramos o projeto para a Lei de Incentivo a Cultura de Goiânia e com a ajuda de Dionisio foi aprovado e a Cia. Novo Ato então esta tendo a oportunidade de concretiza-la.A primeira providência depois da aprovação foi estudar as peças e poemas do autor e depois realizamos um encontro com ele onde entramos em contato com sua historia pessoal,suas reminiscências, seu repertório, sua inspiração, o social e o psicológico em sua obra.
Desvendando os segredos, suas inteções, o processo criativo e visôes. Tiramos algumas fotos e imagens .Um texto que trouxe muitas possibilidades, uma abertura para iniciarmos um processo imersivo de busca que requer sempre de nós algo novo,o despertar continuo da criatividade numa comunicação diferente conseguindo captar outras formas indiretas... Um convite as entrelinhas... as reticências...
Então partimos para uma fase onde o teatro ganhou automomia em relação ao autor e o trabalho grupal passou a comandar a construção. Na etapa do processo veremos como a Cia. Novo Ato chegou a sua nova e poderosa cofiguração com Silas Rodrigues, Luciano Di Freitas e Ana Lu. A Cia. Novo Ato teve a liberdade de realizar uma adaptação na verdade uma síntese do texto e uma reorganização das cenas a partir das necessidades práticas dos ensaios.

Márilia Ribeiro
Atriz Cia Novo Ato